ADUFPA - Docentes universitários do Reino Unido estão em greve em defesa das aposentadorias

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Publicado em 01/03/2018

Docentes universitários do Reino Unido estão em greve em defesa das aposentadorias

Os docentes das universidades do Reino Unido estão em greve contra uma proposta de modificação no seu sistema de aposentadorias. A paralisação, organizada pelo Sindicato dos Docentes de Universidades e Faculdades (UCU, em inglês), é considerada a maior da história da categoria.

 

O UCU organizou, nessa quarta-feira (28), uma marcha em defesa da educação e das aposentadorias. Milhares de pessoas enfrentaram a neve e o forte frio e saíram às ruas de Londres, capital do Reino Unido, para protestar. Houve manifestações menores em outras cidades, como Liverpool, Manchester e Southampton.

 

A UUK, organização que representa as principais universidades do Reino Unido, tem procurado alterar o esquema de aposentadorias do setor. O sistema deixaria de ser organizado a partir de valores a serem pagos aos professores que se aposentam e passaria para um modelo que se limitaria a ‘guardar’, ‘investir’ e ‘devolver’ quantias depositadas pelos professores e instituições quando da aposentadoria. O sistema proposto se assemelha aos esquemas de pensões e aposentadorias de fundo privado ou público que têm sido implantados, desde a década de 1980, sem sucesso, por governos neoliberais ao redor do mundo.

 

É o que conta Billy Graeff, docente da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que viveu quatro anos no Reino Unido lecionando em Loughborough e militando no UCU. “O UCU tem demonstrado que o atual sistema funciona. As projeções feitas pelo sindicato demonstram inclusive que as previsões são otimistas. Entretanto, a UUK defende que há um déficit de cerca de 6 bilhões de Libras Esterlinas (R$ 27 bi). Estes valores têm sido contestados por lideranças politicas no Reino Unido. Os professores avaliam que a mudança, caso seja implantada e funcione, significaria uma diminuição de em torno de 10 mil Libras Esterlinas (R$ 45 mil) nos valores médios recebidos ao longo da aposentadoria”, afirma Billy.


“A greve dos docentes das IES britânicas em 2018 é expressão indubitável de que as ferramentas de luta do século XXI mudaram, mas que em última análise a greve ainda é o instrumento mais eficaz dos trabalhadores em suas pelejas. Estudantes têm se unido aos professores e a greve pode vir a alavancar um processo ainda mais profundo de discussão, que pode levar ao debate aberto na sociedade britânica em relação ao elevado custo do ensino superior e ao endividamento de toda uma geração de jovens trabalhadores”, completa o docente da Furg.

 

Billy ressalta que, desde 1998, há outro grande problema na educação superior do Reino Unido: a cobrança de mensalidades, instituídas pelo então Primeiro Ministro trabalhista, Tony Blair, e que hoje podem chegar a 9 mil libras anuais (cerca de R$ 40 mil). “É consenso que parte importante dos custos das universidades britânicas são cobertos pelos pagamentos feitos por estudantes internacionais. A greve ameaça a percepção de que as universidades do Reino Unido sejam uma ilha de perfeição em meio ao ataque neoliberal à educação como um todo, tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento. Talvez por isso, diversos reitores já tenham se manifestado a favor de abertura de negociações imediatas. Importante também para que se entenda o cenário, é reconhecer que a estratificação social no contexto das universidades britânicas mudou muito nos últimos vinte anos”, analisa.

 

Aposentados também protestam na Espanha
Na última quinta-feira (22), milhares de aposentados espanhóis protestaram exigindo aposentadorias dignas. Na capital Madrid, os manifestantes chegaram a bloquear a entrada do Congresso por três horas. Cidades como Barcelona, Bilbao, Valencia, Valladolid, Zaragoza, Pamplona e La Coruña também tiveram atos. Os aposentados espanhóis exigem reajuste nas aposentadorias de acordo com a inflação, para que seu já pequeno poder de compra não seja ainda mais diminuído.

 

Fonte: ANDES-SN, com informações de UCU e La Nación. Imagem de UCU.