ADUFPA - Trabalhadores dos Correios entram em greve nesta segunda-feira contra a privatização

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Publicado em 12/03/2018

Trabalhadores dos Correios entram em greve nesta segunda-feira contra a privatização

Nesta segunda-feira (12), os trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado contra o não cumprimento da empresa do Acordo Coletivo de 2017.

 

“Os Correios e o governo estão provocando um verdadeiro desmonte da estatal atacando direitos dos trabalhadores, como o plano de saúde, e provocando uma privatização fatiada que pode ser completa caso a categoria não aja rapidamente”. Esse é o alerta feito pelo trabalhador dos Correios e dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Geraldo Rodrigues.

 

Ano passado, a categoria realizou uma greve nacional em defesa do plano de saúde. Há pelo menos dois anos a empresa tenta repassar o custeio deste direito aos trabalhadores sob o argumento que está gastando quase R$ 2 bilhões com o benefício e não tem como custeá-lo. “O plano de saúde dos Correios, chamado Postal Saúde, foi criado em 2014 sob protesto por parte dos trabalhadores que já entendiam que essa situação de cobrança ocorreria, pois uma subsidiária cuidaria do plano, não mais a empresa”, lembra Geraldo.

 

Antes a empresa tinha um custo de R$ 800 milhões ao ano com o plano, quando era operado pelos Correios. Com a criação da subsidiária Postal Saúde, os custos aumentaram e a empresa quer transferir esse aumento de custo à categoria. “Os trabalhadores já pagam quando usam o serviço, e têm no acordo coletivo que dependendo do salário para 5%, 10%, 15% do que você gastou usando o serviço”, disse Geraldo. Hoje a empresa quer que os trabalhadores paguem 25% mensais, o pior é que a tabela será sobre o salário bruto.

 

Em 2017, a categoria aceitou fechar o acordo com reajuste de 2,7%, exatamente porque o TST (Tribunal Superior do Trabalho) propôs reeditar o acordo coletivo, que garantia em sua cláusula 28 o não pagamento da mensalidade do plano de saúde. Agora, a empresa quer mudar a cláusula para que possa implementar a cobrança de mensalidade. “Outro problema sério é que os pais que são dependentes ficarão fora da cobertura do plano, o que era garantido até agora”, salienta Geraldo.

 

Privatização em curso  

Os trabalhadores internos OTT (Operador de Triagem e Transborno) são em média 17 mil funcionários, que terão os cargos extintos e, segundo a empresa, seriam transferidos para o cargo de carteiro. Isto significa que o trabalhador fez concurso para uma função e exercerá outra. “É um ataque muito grande, e o que a empresa quer é intensificar a terceirização nesses setores, para pagar salários rebaixados, há trabalhadores que tiram R$ 700 com descontos”, ressalta o dirigente.

 

A empresa criou outra subsidiária, o Correios Par, que passaria a tomar conta dos grandes complexos, o que vai piorar a entrega do objeto para os clientes. Há ainda o projeto de redução de salário com redução de jornada e o fim do concurso público.

 

Não são poucos os ataques que vem sofrendo os trabalhadores dos Correios. “A CSP-Conlutas apoia integralmente a greve e estará lado a lado dos companheiros e companheiras dos Correios”, reforça o operário da construção civil, Atnágoras Lopes, integrante da SEN, da Central.

 

Fonte: CSP-Conlutas