ADUFPA - Debate na UFPA analisa ameaças do fascismo e a conjuntura eleitoral

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Publicado em 23/10/2018

Debate na UFPA analisa ameaças do fascismo e a conjuntura eleitoral

As ameaças do fascismo e a conjuntura eleitoral foram tema de debate promovido pela ADUFPA na manhã de hoje, 23, no hall da reitoria da UFPA. A atividade, que fez parte do calendário de mobilizações da entidade em defesa da democracia, contou com a presença do economista e professor aposentado da UFPA, Aluísio Leal, e do jornalista e dirigente da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), Martin Hernández.

 

Uma das principais lideranças estudantis da UFPA durante o período mais duro da Ditadura Militar, Aluísio iniciou sua exposição comparando o modo de produção capitalista com o escravismo e o feudalismo e analisou a crise do capitalismo, que ele considerou estar em estágio de pré-metástase. Segundo ele, para ter uma sobrevida, o capitalismo busca ter o controle absoluto dos mercados. Por isso, o que estaria em jogo neste processo eleitoral é a intenção do imperialismo em intervir nos países da América Latina.

 

Fichado pelo Departamento de Ordem Política Social (DOPS) e preso em 1966 na antiga 5ª Companhia de Guardas do Exército brasileiro em Belém, Aluísio também analisou o processo de formação de consciência dos militares, em especial a influência da Doutrina da Segurança Nacional. “Foi essa doutrina que fez a cabeça do militar a partir dos finais da década de 30, durante a Segunda Guerra Mundial e do pós-guerra, fazendo com que eles fossem os guardiões terríveis do ódio ao comunismo, que se confunde com as noções primárias, rasteiras e medíocres de moralismo e nacionalismo que se ouve de um militar”, explicou Aluísio.

 

De acordo com o docente, Bolsonaro é apenas um boneco que representa o pensamento hegemônico, fanático e militar, que dá sustentação aos interesses do imperialismo. “O que está por trás disso é um projeto de tutela institucional que deverá se valer do voto do povo imbecibilizado pela sua própria história de colonização”, afirmou Aluísio.

 

Fascismo – Nascido na Argentina, onde enfrentou a Ditadura Militar, Martin Hernández iniciou sua exposição criticando as declarações de Jair Bolsonaro, em que ele afirma que a Ditadura brasileira, ao invés de torturar, deveria ter matado 30 mil pessoas. “Ele fala em 30 mil porque esse número é simbólico, é conhecido em toda a América Latina, pois a Ditadura argentina que foi um exemplo para as outras ditaduras, assassinou 30 mil pessoas”, lembrou Martin, que além de ter sido preso pelos governos militares no país vizinho, esteve sob constante ameaça pela Operação Condor, que reunia órgãos de informação e repressão da América Latina.

 

Radicado há décadas no Brasil, Martin afirma que Bolsonaro se aproveita do fato do país ter pouca memória e não conhecer a fundo o que foi o período da Ditadura Militar. Ele relata que, antes dos governos militares, o Brasil registrava seis assassinatos a cada 100 mil habitantes, número que aumentou nos anos finais da Ditadura, quando eram registrados 37 homicídios por cada 100 mil habitantes. “Hoje, temos um número de assassinatos escandaloso, mas percentualmente é menor que na época da Ditadura. Porém, ele quer dar a ideia que se você entra matando todo mundo, você acaba com a delinquência. Como se o problema da delinquência não fosse um problema social, não estivesse relacionada com a fome e com os cerca de 14 milhões de desempregados no Brasil”, destacou Martin.

 

Apesar da possibilidade de vitória de Bolsonaro e do fortalecimento de grupos fascistas, Martin Hernández afirmou que o Brasil não vive a ameaça do fascismo. Na avaliação do dirigente da LIT, o fascismo é uma organização pela burguesia de um método de guerra civil contra os trabalhadores. “Não há nenhum setor da burguesia disposto a introduzir um regime fascista no Brasil. Não está nos planos dos Estados Unidos”, garantiu Martin, frisando que uma vitória de Bolsonaro representaria mais medidas antidemocráticas e, por isso, é necessário derrotá-lo.