ADUFPA - Estudantes impedem votação sobre gerência de hospitais

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Publicado em 18/12/2013

Estudantes impedem votação sobre gerência de hospitais

Integrantes e dirigentes de várias entidades acadêmicas impediram, ontem, a votação que vai defenir ou não a adesão da Universidade Federal do Pará (UFPA) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que passaria a gerir os hospitais universitários João de Barros Barreto (HUJBB) e Bettina Ferro de Souza (HUBFS). A questão seria decidida em reunião do Conselho Universitário (Consun), mas os estudantes ocuparam o auditório onde os conselheiros estavam, cancelando a reunião. Um grupo chegou a perseguir o vice-reitor Horácio Schneider pelo campus, pressionando para a realização de um debate mais amplo sobre o tema. Na tentativa de impedir o deslocamento dele, algumas pessoas se colocaram em cima do carro de Horácio e agentes de segurança precisaram intervir. Apesar dos ânimos exaltados, não houve confronto e os alunos permaneceram com faixas e cartazes no prédio da Reitoria durante toda a manhã de ontem.
Ainda não há uma nova data para a votação, que poderá ser feita pela internet. João Santiago, coordenador da Associação dos Docentes da UFPA (Adufpa), questiona o tempo curto destinado para a discussão do assunto com a comunidade estudantil. “A Ebserh foi criada há dois anos e os problemas dos hospitais são históricos, tiveram todo esse tempo para elaborar o debate, mas não o fizeram. Agora estão correndo com essa decisão em menos de dois meses”, critica. O aluno Diego Silva coordena o Diretório Central de Estudantes e defende a inclusão da sociedade na decisão. “Uma mudança dessa importância tem que ouvir os usuários e profissionais das instituições”, afirma.
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA, Emmanuel Tourinho, argumenta que a contratação da Ebserh deve ser definida logo, como alternativa ao funcionamento dos hospitais. “Temos até junho do ano que vem para UNIVERSIDADE Consun vai definir destino do Bettina Ferro e do Barros Barreto, da UFPA Pró-reitor alega que o destino de seiscentos funcionários está em jogo cumprir uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) e encerrar o contrato de mais de 600 funcionários. Se sinalizarmos a adesão agora, conseguiremos manter estes servidores até que a Ebserh conclua os levantamentos necessários, caso contrário o atendimento ficará seriamente comprometido”, esclarece. A medida do TCU é referente aos contratados via Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp).
Nelson Nasser cursa Direito e integra o Conselho como representante da Liga Acadêmica Independente. Para ele, o Consun está preparado para realizar a votação e diz não ser necessário prolongar o processo. “Muitas entidades cobram que a adesão seja mais debatida, mas não conseguem se mobilizar para participar ativamente”, reclama. Dentre os questionamentos das entidades contrárias estão a queda na qualidade do atendimento, abertura para planos privados e a perda da autonomia da Universidade. “As atividades acadêmicas e científicas da UFPA, assim como o atendimento exclusivo pelo SUS, estão garantidos pela lei e serão reforçados no contrato, que pode ser rescindido em caso de violação. O maior beneficiado será a população que depende da assistência gratuita”, defende Tourinho. Ele alega, ainda, que a decisão cabe somente ao Consun e que nenhum segmento da Universidade pode impor um posicionamento que não tenha sido deliberado  democraticamente pelos integrantes do Conselho.

 

(O Liberal - 18/12/2013)