ADUFPA - Mitos desconstruídos e a GREVE nas IFES

Associação de Docentes da UFPA

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Publicado em 18/06/2015

Mitos desconstruídos e a GREVE nas IFES

Os gregos do período clássico há muito nos ensinaram que os mitos – espécies de fabulações fantásticas repletas de contradições internas – embora fascinantes, não são capazes de resistir ao tempo e a reflexão crítica. Esta semana o Prof. Dr. Márcio Lima do Nascimento, Coordenador Geral do PARFOR / UFPA, nos possibilitou a desconstrução de um mito em torno do programa que coordena: a impossibilidade de suspensão das atividades do programa sob qualquer circunstância, posto que cada turma aberta pelo programa tenha data preestabelecida para início e finalização do ciclo de atividades acadêmicas. Este fora o discurso usado, por ocasião de nossa greve de 2012 para defender a não suspensão do PARFOR, mesmo com uma greve fortíssima em curso com adesão de 58 IFES. 

 

O tempo passou e o discurso mudou: agora é o próprio Coordenador Geral do PARFOR / UFPA quem assina o documento suspendendo a realização do calendário acadêmico do programa na sua etapa Julho-Agosto de 2015. Qual garantia apresenta para a realização das etapas subsequentes? Como e quando serão repostas as disciplinas de um bloco inteiro que não serão realizadas? E o encerramento das turmas será mantido dentro do cronograma já estabelecido anteriormente? E as situação dos alunos – lembremos que eles são professores da rede estadual ou municipal e que tem licença para frequentar as atividades do programa, licenças estas com cronogramas também previamente estabelecidos – será negociada com as Secretárias de Educação? Quem se responsabilizará por tal negociação?

 

Questões que ficam no ar e que ajudam a desconstruir o mito do PARFOR como programa que não pode suspender suas atividades durante uma GREVE NAS IFES. 

 

Mas ainda há outros mitos que precisam ser desconstruídos. Cito, por exemplo, o mito de que a Pós-Graduação em hipótese alguma poderá suspender suas atividades em virtude de sua relação com os cronogramas da CAPES – bolsas e etc. Este mito precisa ser encarado de frente, e na verdade já temos algumas demonstrações louváveis para iniciar o debate: Os programas de Pós-Graduação de História e Serviço Social da UFPA paralisaram suas atividades e aderiram a greve nacional das IFES iniciada no último dia 28 de Maio. Considero louvável esta atitude, pois demonstra a insatisfação dos docentes da pós com o tratamento dispensado pela própria CAPES às suas atividades – trabalho em excesso, critérios produtivistas rigorosíssimos e baixo investimento nos docentes. Então, cabe a pergunta: até quando os programas de pós-graduação manterão uma postura subserviente junto a CAPES? 

 

O tempo e a reflexão crítica são imperdoáveis. 

 

*Prof. Msc Edson Fernando (Escola de Teatro e Dança da UFPA - ETDUFPA / Instituto de Ciência das Artes - ICA)