Nossa história

OS MAIS DE 40 ANOS DA ADUFPA: UMA LEGENDA DE LUTAS

 

A fundação da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (ADUFPA) derivou muito mais de um processo de luta do que da organização burocrática da entidade em si. Em fins de 1978 e início de 1979 professores articularam-se para formação de uma associação de docentes da UFPA. A ata de fundação contém sessenta e seis assinaturas, uma vez que foram considerados fundadores os que assinaram até quarenta e cinco dias após a Assembleia Geral. Tudo ocorreu antes dos atuais 42 anos. Começou então o período em que o reitor da UFPA era o professor Aracy Barreto, nomeado para o cargo quando o presidente se chamava general Ernesto Geisel e o ministro da educação era o ex-governador do Paraná, Ney Braga. Eram tempos duros e difíceis, durante a ditadura implantada em 1964 e que, como sabemos, durou vinte e um anos dos piores que já viemos a conhecer.

 

Convém registrar, porém, e relembrar, que a Universidade Federal do Pará foi fundada pelo presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, no ano de 1958, numa solenidade realizada no Teatro da Paz, com a presença do Governador do Estado, Magalhães Barata e do então reitor José da Silveira Neto, que permaneceu no cargo até 1968, quando foi substituído por Aloysio da Costa Chaves.

 

Durante a década de 1950, o movimento de docentes e discentes foi praticamente inexistente. Não havia manifestações políticas, tais como se vieram a conhecer. Os cursos estavam cada um na sua faculdade isolada, pois até a Universidade Federal do Pará não havia sido ainda constituída. Por isso mesmo, nem alunos e nem professores se dedicavam a atividades paralelas do tipo sindical, já que suas preocupações vinham de seus estudos em sala de aula e seus compromissos didáticos.

Somente em 1960 começaram a surgir as lutas, principalmente da classe estudantil e, em menor escala, dos professores universitários. Essa década foi referencial no Pará, no Brasil e no mundo inteiro, pelas expressivas transformações sociais que alteraram em todo o mundo as formas de lutas.

 

No Brasil, o início da década de 1960 começou com a eleição e posse de Jânio Quadros. Sete meses depois houve sua complicada renúncia e a posse de seu vice, João Goulart, que quase não assumia o posto por causa dos líderes militares. Entre esse período e a implantação da ditadura militar, houve uma experiência política que levou alunos e professores ao enfrentamento, que perdura até hoje.

O dia 18 de maio marcou o aniversário da ADUFPA, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará, entidade criada para representar e defender a categoria dos docentes da UFPA. Concebida no auge da ditadura militar, quando os enfrentamentos na sociedade atingiam picos extremos de combate, e o sindicalismo autêntico apenas começava. A ADUFPA tem consolidado sua presença no movimento docente com uma postura essencialmente democrática e uma oposição rigorosa a qualquer ataque aos direitos adquiridos e ao autoritarismo de qualquer extremo.

A partir do primeiro ano de sua existência, junto com as demais associações que se formaram em torno das universidades federais, esta luta ensejou a aglutinação de todos em torno de uma associação nacional de docentes do ensino superior, cuja sigla ANDES foi sempre mantida mesmo quando se transformou em um Sindicato Nacional. Esse fortalecimento do ANDES como sindicato nacional permitiu que sua representatividade reunisse os docentes das instituições federais, estaduais, municipais e particulares de ensino, num leque de adesões e apoios que, não obstante, passou a merecer ataques de setores oficiais e conservadores do movimento sindical.

 

Estamos sempre na luta!

 

 

Nessas mais de quatro décadas, além de nascer e resistir contraa ditadura civil-militar brasileira, nos organizamos contra leis e medidas retrógradas que atacaram autonomia; qualidade do ensino, pesquisa e extensão; que visavam precarizar a carreira docente ou quenão acataram posicionamentos coletivos da categoria, reagimos com mobilizações e greves em defesa da Educação e Universidade públicas contra os presidentes: Fernando Collor de Melo (PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula e Dilma (PT), Temer (PMDB).

Neste momento, o país atravessa uma pandemia e tem como presidente um genocida chamado JairBolsonaro,seguimos atuando com compromisso e coragem em defesa dos interesses dos docentes e de toda população trabalhadora brasileira. A direção da Adufpa não cede às dificuldades da história e acredita em dias melhores, que serão conquistados pela força coletiva.

Nossa memória, viva!

“Associei-me à Adufpa. Guardo até hoje o Boletim nº 1 de 1980. Era mimeografado e começava com um esboço histórico da Adufpa. Após informar que A Adufpa foi criada em maio/79 por um grupo de docentes da UFPAafirmava que os motivos que orientaram a sua criação estavam ligados basicamente à necessidade de melhorar as condições de trabalho e de remuneração dos professores. Mais adiante afirmava que a censura, as cassações, as intervenções policiais em assuntos internos das Universidades exigiam uma organização dos docentes no sentido de defender seus direitos. O Boletim informava ainda que, apesar das dificuldades, a Adufpa já contava com cerca de 300 associados. Mostrava que o salário dos docentes, naquele ano, valia apenas 45% do que valia em 1969 e enfatizava o seu empenho na luta pelo enquadramento dos colaboradores de forma automática, através do Projeto da Carreira do Magistério, como Professores Auxiliares. O Projeto estava, então, em discussão. O Presidente da República era João Figueiredo e o Ministro da Educação, Eduardo Portela. No País inteiro os docentes das Universidades se organizavam e se mobilizavam em defesa de seus direitos: plano de carreira, melhores salários e condições de trabalho. Assim começou a nossa história”, relato da professora Celeste Medeiros, uma grande lutadora da Adufpa!

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